Casa 4 estreia Me Brega, Baile! na Sala do Coro do TCA

Arte e Exposições, No Circuito
12 de junho de 2019
por Genilson Coutinho

Foto: Caio Lírio

A Sala do Coro do Teatro Castro Alves será palco do Me Brega, Baile!, espetáculo de dança produzido pelo Casa 4, que estreia em curta temporada nos dias 28, 29 e 30 de Junho, às 20h, com ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) – venda antecipada nas Bilheterias do SAC ou pela plataforma da Ingresso Rápido. Cinco bailarinos intérpretes-criadores homossexuais utilizam a dança de salão como discurso político para reivindicarem a liberdade de serem e de existirem.

Com direção e provocação coreográfica de Leandro Oliveira (ex-bailarino do Balé do TCA, de 2014 a 2018), o espetáculo questiona a heteronormatividade com padrão de comportamento nas danças de salão e propõe outras possibilidades de se pensar e praticar as danças a dois. Para isso, transforma o adjetivo “brega” em verbo e convida o “baile” – e por que não o espectador? – a deixar de ser tão conservador para se entregar à breguice, ao excesso, ao dramático, ao cafona.

Em quase todas as definições, a palavra Brega ganha conotações pejorativas. O dicionário Michaelis define como aquilo que é “de mau gosto, de qualidade inferior, chinfrim, medíocre, vulgar, kitsch”. No Nordeste, “Brega” é um termo utilizado em referência aos puteiros. No Brasil é um movimento musical em que os sentimentos são exacerbados, sem pudores.

“Me Brega, Baile! é um apelo para que nos deixem ser aquilo que queremos. Nos deixem ser bregas! Nos deixem usar salto, saia, brilho, paetê, vestido; dançar do jeito que a gente quiser, com quem a gente quiser, em qualquer ambiente, sem julgamentos, sem conservadorismo, sem amarras”, declara Guilherme Fraga, bailarino-intérprete de Me Brega, Baile! e integrante do Casa 4, que está em cena com Alisson George, Jônatas Raine, Marcelo Galvão e Ruan Wills.

As coreografias surgem a partir de temáticas sócio-políticas e vivências cotidianas dos bailarinos, que os levaram a pesquisar e a propor movimentos. Os bailarinos-intérpretes Ruan Wills e Jonatas Raine, por exemplo, expressam a dificuldade da relação afetiva entre homens gays negros em uma das cenas. “Somos os únicos corpos negros neste espetáculo e queremos discutir afetividade, empoderamento e reconhecimento da beleza preta”, pontua Wills.

O II Encontro Contemporâneo de Dança de Salão, realizado em 2018 em São Paulo, foi um dos eventos que disparou a criação de Me Brega, Baile!. Nele, o Casa 4 apresentou o espetáculo Salão e ministrou uma oficina. Nos chamados “bailes contemporâneos de dança de salão”, que ocorreram nos dias do evento, os bailarinos exploraram possibilidades de dançar juntos sem os formalismos dos bailes tradicionais, em proposições abertas ao jogo e à improvisação.

A participação do Casa 4 no Mova-se Festival (AM) também foi propulsora para a criação de Me Brega, Baile!. Após apresentarem Salão, primeira montagem da Casa 4 para mais de 700 pessoas, o evento recebeu um ação judicial movida por um grupo de pessoas que considerou que a montagem não deveria possuir classificação indicativa livre, devido aos “gestos obscenos” feitos pelos bailarinos.

Para o Casa 4, a ação se deu pelo fato dos bailarinos serem gays “e defendermos nossa existência, nosso jeito de ser!”. “Fomos pesquisar e achamos obras nacionais com cenas de caráter similar, porém realizadas por um homem cis e uma mulher cis. Resultado: a classificação destes trabalhos permanece livre”, refuta Guilherme Fraga, ao acrescentar que o acontecimento influenciou uma das cenas de Me Brega, Baile!, em que a plateia poderá assistir “a nossa visão dos fatos”.

O Casa 4 busca defender e exaltar a diversidade, o diferente, a liberdade de existir do jeito e da forma que se quer. “A breguice é o caminho que escolhemos para reafirmar o nosso lugar no mundo: viva o que é tido como ridículo, feio; viva o mau gosto, viva o brega! Me Brega, Baile! é um movimento dançante em prol da liberdade de ser e de existir em qualquer ambiente!”, manifesta Fraga.

Em Me Brega, Baile!, o público pode esperar uma diversidade de sonoridades: da música disco ao forró nordestino, que recria sucessos internacionais de forma brilhante – e brega! Clássicos nacionais e internacionais das décadas de 70 e 80 ganham destaque na trilha sonora. Estas músicas, por sua vez, reúnem a carga dramática e o sentimentalismo exacerbado deste gênero musical. Foram excluídas canções e artistas assumidamente lgbtfóbicos.

Serviço

Me Brega, Baile!
Quando: 28, 29 e 30 de junho, às 20h
Onde: Sala do Coro do Teatro Castro Alves
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) – venda antecipada nas Bilheterias do SAC ou pela plataforma da Ingresso Rápido