Carlinhos Brown agita o verão Novaiorquino

Música, No Circuito
16 de julho de 2017
por Genilson Coutinho
20031930_1775654505784466_2511581017161106462_n

Foto: Daniela Nascimento

Tedson Souza

Direto dos EUA

A beleza de Carlinhos Brown e a música da Bahia ao alcance dos olhos e dos ouvidos do mundo. Assim que me senti no espetáculo deste sábado, no Lincoln Center Festival em Nova Iorque.  Fiquei emocionado ao ver o Lincoln Center, um dos principais centros culturais do mundo, lotado com pessoas de diversas nacionalidades.  Enquanto aguardava na fila eu já escutava as diferentes línguas. David Byrne estava luxuosamente assistindo atento a tudo. No palco, músicos excepcionais e a tão luxuosa performance de Hugo Sanbone.

A qualidade do som me arrepiou. A luz de Irma Vidal penetrou a alma. Tecnicamente tudo tão impecável.  Após uma abertura impactante com muita percussão, efeitos visuais e imagens da Bahia, as escolhas minimalistas e Bossanovistas em parte do repertório deixam o clima morno no primeiro momento do concerto.

As participações virtuais de Chico Buarque e Arnaldo Antunes não disseram muita coisa. Nesse momento do show, dois colegas americanos da Brown University cochilavam ao meu lado. Olhei para a fileira da frente e um casal asiático também parecia dormir. Muita gente aproveitou para ir ao banheiro. Dessa parte mais intimista, salvo a plasticidade da também virtual participação de Caetano Veloso, foi um momento muito belo. Mas com a sapiência de um artista gestado nas festas de Rua da Bahia, logo em seguida, Carlito Marrom convidou o público a levantar e interagir numa sequência de clássicos que me levaram ao Sarau do Brown no Museu do Ritmo.

Às vezes fico tentando entender essa insistência de grandes artistas da Bahia em mostrar uma vertente Bossanovista que é muito falha. Sinceramente, acho que eles não precisam disso. A música afro-baiana produzida em Salvador a partir dos anos 1980 é grandiosa e de qualidade inquestionável. Essa parte intimista passou a impressão da necessidade de busca de uma legitimidade que Brown já tem. A percussão virtuosa já deu tudo para ele. Ele é imenso ao ponto de fazer com que o público não se importe com as limitações do seu canto. Foi um espetáculo de muita beleza. Um destaque para “Orgulho de nós dois”, a canção mostrou que é maior que a “onda latina” que, felizmente, toma conta do mundo e a percussão trouxe o delicioso groove arrastado do Fantasmao e de Kannario. O público se sentiu abraçado. Brown ignorou os pedidos de “Diretas Já”, “Fora Temer” e também ” Fora PT” que vieram da plateia. E como de costume preferiu não se posicionar politicamente.

O Lincoln Center Festival segue até o dia 30/07.  A maratona de shows vai contar com 20 apresentações de artistas estadunidenses e de países como Brasil, Cabo Verde, Síria, Palestina, Israel, Tunísia, Chade, China, Japão, Reino Unido, Alemanha, França Polónia, Rússia, Cuba e Canadá. Outro representante da língua portuguesa a se apresentar no evento será o cabo-verdiano Tcheka, que vai subir ao palco do Lincoln Center no próximo dia 27/07 (quinta-feira).

Tedson Souza

Tedson Souza é Jornalista, Professor Universitário, Mestre em Antropologia e Doutorando em Antropologia pela UFBA. Atualmente realiza estágio Doutoral na Brown University, nos Estados Unidos. Trabalhou na redação da Band Bahia, onde atuou como Produtor Executivo na Bandnews FM. Também passou pelas redações da A Tarde FM e do Jornal Correio.