Cães de Aluguel Por George Araujo

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27 de agosto de 2011
por Genilson Coutinho

 

Que bom que a gente pode mudar de opinião, não é mesmo? Confesso que não via filmes de Quentin Tarantino porque considerava filmes com muito sangue. Não que Cães de Aluguel tenha pouco sangue… não é isso. Acontece que filmes com sangue ou filmes com muito muito sangue também podem ser bons.

O filme começa numa mesa de bar com sisudos homens tendo quase uma discussão filosófica sobre a música ‘Like a virgin’ de Madonna. O que parece ser idiota, Tarantino (convencido ou não) faz com maestria. Cenas longas, diálogos ricos e movimentos de câmera precisos tornam este filme – que é o primeiro da carreira deste diretor – um clássico. Tem que ser muito bom para ter um filme de estreia sendo aclamado pela crítica.

Cães de Aluguel são seis bandidos experientes que são recrutados para assaltar uma joalheria. Tinham o plano perfeito, mas a polícia aparece e o assalto não dá certo; o que dá espaço para começarem as desconfianças de que há um traidor no grupo. Fugidos e cada um para um lado, os bandidos se reencontram num galpão que funciona como esconderijo e lá acontece a maioria das cenas que são intercaladas com flash backs que explicam toda a história. O assalto em si nunca é mostrado e o filme é uma bela (des)construção do tempo e conta todo o ocorrido num ritmo incrível e único.

Ninguém sabe o nome de ninguém; cada um recebeu um apelido com o nome de uma cor para não haver contatos pessoais – Mr. Pink, Mr. Blonde. Mr. Blue, Mr. Orange, Mr. White, Mr. Brown e Mr. Black. Mr. Orange é baleado na fuga e é o responsável pela metade da groselha utilizada no filme; o cara sangra do começo ao fim. Além disso, há uma cena em que o mais miserável da quadrilha faz questão de mostrar toda a sua crueldade em cenas onde canta, dança e arranca a orelha de um policial – tudo ao mesmo tempo; esse é um completo psicótico. Apesar de parecer nojento escrevendo isso, na tela Cães de Aluguel hipnotiza e choca sem dramas. Talvez outros filmes onde só se ouça os tiros, incomode muito mais do que este.

O mais impressionante é que Tarantino mostra sua ‘genialidade’ num filme que não custou quase nada. Talento puro; do roteiro até a interpretação de TODOS os atores, passando pela trilha sonora que complementa e envolve o espectador.

Este filme veio para, de certa forma, mostrar a natureza humana, fortalecer os frescos e inquietar a todos. Como dizem a maioria dos críticos e como já falei acima, um clássico.

George Araújo – Colunista de Cinema

 

Publicitário, Blogueiro, twitteiro e cinéfilo de plantão. Trabalha na área de criação gráfica e com mídias sociais e é idealizador do BlogayrosCamp.