Música

No Circuito

CABOKAJI traz ancestralidade afro-indígena no álbum de estreia; conheça

Genilson Coutinho,
29/10/2021 | 13h10
Fotografia: Tamires Almeida

Depois de dois anos de produção, o CABOKAJI lança hoje, 29, o seu primeiro álbum autointitulado em todas as plataformas de streaming, dentro do projeto Original Caboks, que conta com patrocínio do Natura Musical e do Governo da Bahia – através do Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda. Já no dia 30 de outubro, através do Youtube da Casa Preta Espaço de Cultura, estreia turnê virtual de lançamento do disco em Salvador. A série de shows lives do CABOKAJI ocorre sempre aos sábados até 27 de novembro, às 19h, numa parceria com espaços culturais alternativos de Salvador, Aracaju, Maceió e Olinda. Terras que construíram a base da musicalidade do país.

No álbum gravado no estúdio da Aquahertz Beats, o grupo se debruça sobre a musicalidade indígena, berço para o surgimento de diversos ritmos nordestinos, “ajuntadas” a musicalidade eletrônica e contemporânea. Musicalidades pouco exploradas, como rojão, aboio, dança de Búzios, Coco Fulni-ô, e outras mais populares como maracatu e afoxé, compõem a sonoridade do trabalho. OUÇA AQUI

Mais do que uma banda, o ajuntamento musical CABOKAJI é um encontro músico-performance dos cantores, compositores, instrumentistas e pesquisadores da arte Caboclo de CobreISSAMayale Pitanga e Ejigbo Oni. O grupo faz da sua arte uma plataforma política que busca, entre outras pautas, contribuir com o processo de resgate da importância dos povos originários para a musicalidade nacional brasileira. Cabokaji é um sopro para afastar a neblina, cortiça do esquecimento, que tanto atrapalha enxergar o valor e a contribuição incondicional destes povos.

O trabalho traz uma produção musical contemporânea e calcada em ritmos eletrônicos costurados por um discurso pautado no “sorriso como ferramenta política e a dança como processo de cura”. A inspiração maior para as criações artísticas foram os caminhos já percorridos pelo Cabokaji e as vivências e contatos com ajuntamentos indígenas ocorridos na primeira etapa do Original Caboks, de 12 de julho a 10 de agosto, com as comunidades tradicionais Fulni-ô/PEXukuru-kariri/AL e Kaxagô/SE .

“Estar com eles e elas foi fundamental, foi fundamento. Fundamento em religiosidade é a célula basilar do rito. Se Cabokaji é um grande Ritual, a sua célula basilar é toda esta herança e beleza indígena, trocada e partilhada em corpo presente e incorporado de sentidos”, pontua Caboclo de Cobre .

Turnê virtual

A estreia da série de transmissões acontece no sábado (30/10), às 19h, no YouTube da CASA PRETA ESPAÇO DE CULTURA de Salvador. A banda CABOKAJI se apresenta com as participações de KATUMIRIM e da banda YBYTU-EMI. No dia 29 de outubro, acontece o lançamento do videoclipe de Gameleira, faixa que faz uma homenagem ao sagrado feminino e fala, sente e faz reverberar o Feminino. O feminino sagrado que nos gesta e dá vida, e o feminino humano que desperta paixões e encantamentos humanos.

A turnê segue no dia 06 de novembro, às 19h, com a transmissão do show do CABOKAJI no canal de YouTube do ESPAÇO DE ARTE, CULTURA E EDUCAÇÃO OMIRÓ – CASA DE MAR – em Aracaju. Direto da capital sergipana, quem participa à distância da transmissão é a ORQUESTRA DE ATABAQUES DE SERGIPE. O show online também marca o lançamento do videoclipe de Jurubeba. A canção propõe um mergulho dançante na cultura nordestina, no jeito humilde/humano de um povo que sofre tanto com a falta de água, sabedoria de uma gente que parece conversar com a natureza, extraindo das plantas conhecimentos e fundamentos, ampliando os horizontes e expandindo os entendimentos.

Já no dia 13 de novembro, às 19h, o show online será transmitido no YouTube do QUINTAL CULTURAL, de Maceió. Esta transmissão conta com a participação, também à distância, do CACIQUE IDYARRURY XUKURU KARIRI, da Mata Da Cafurna – reserva indígena de Alagoas. Ainda nesse dia, acontece o lançamento do clipe da música Chegança. A canção é uma saudação à ancestralidade indígena e afro-pindorâmica, revelando a beleza dos Caboclos e Caboclas, evocando o encanto e as forças da natureza, provocando no corpo a sensação de leveza através da dança e do sorriso.

A próxima parada da turnê virtual é em Olinda, no dia 20 de novembro. A partir das 19h, acontece a transmissão do show do ajuntamento musical baiano no YouTube do ESPAÇO CENTRO CULTURAL GRUPO BONGAR – NAÇÃO XAMBÁ. Nesta apresentação o integrante do Cabokaji, o multiartista Mayale Pitanga apresenta composições do seu trabalho solo Oré.

O show para Olinda/PE representa a união entre dois dos principais pólos de produção musical nordestina atualmente e atualiza a conexão cultural Bahia-Pernambuco, sempre muito presente na história da nossa música. Além disso, marca a data emblemática para a luta antirracista com o Dia Nacional da Consciência Negra, uma homenagem à Zumbi dos Palmares e a todo o povo negro.

Para encerrar a viagem virtual pelo Nordeste, o grupo retorna a Salvador na Casa Preta no dia 27 de novembro, às 19h, para realizar um show com as participações de KUNUMÍ MC e MESTRA JOSY, do MARACATU VENTOS DE OURO. Também no dia 27, será lançado o curta experimental Arrancamento, documento que narra os resultados do processo de colonização com a extinção quase que total dos idiomas originários do Nordeste, além de dar voz a figuras centrais no processo de construção dos shows e videoclipes, como recurso-memória neste resgate à ancestralidade afro-ameríndia. O minidoc conta com a direção de fotografia do documentarista Ted Ferreira, que também é responsável pela direção de todos os videoclipes.

Todas as gravações e transmissões da turnê serão realizadas em Salvador, no espaço da Casa Preta, seguindo todos os protocolos sanitários que a pandemia de Covid-19 exige. Além da banda, a equipe conta com Caboclo de Cobre na direção artística, Moisés Victório na direção de arte e visualidades, cenário e iluminação, Ani Haze na co-direção de arte e visualidade/VJ/mapping, e TED Ferreira na direção de fotografia e coordenação de set.

“O trabalho está sendo feito em cima das imagens captadas no contato com os ajuntamentos indígenas, algumas imagens eu também criei para dialogar com cada faixa, cada som e letra. Procuro entender como foi a criação da música ou o que ela reflete para criar uma ideia de projeção como um reflexo do som. O objetivo é que seja uma experiência imersiva também. Além disso, eu crio efeitos ao vivo a partir da performance da banda”, conta Haze sobre a concepção visual da turnê virtual.

O Cabokaji foi selecionado pelo edital Natura Musical, por meio da lei estadual de incentivo à cultura da Bahia (FazCultura), ao lado de Nara Couto, Mestre Aurino de Maracangalha, Mahal Pita e Mercado Iaô, por exemplo. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para 58 projetos de música até 2020, como Margareth Menezes, Jadsa, Mateus Aleluia e Ilê Ayê.

“A música propõe debates pertinentes, que impactam positivamente na construção de um mundo melhor. Acreditamos que os projetos selecionados pelo edital Natura Musical podem contribuir para a construção de um futuro mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

Original CABOKS
O projeto Original CABOKS – que tem coordenação de produção de Luiz Antônio Sena Jr, produção executiva de Mariana Damásio e assistência de Sérgio Akueran e Tamires Allmeida – promove ao todo 6 lançamentos de produtos, entre single, álbum, videoclipes e minidoc, além das 5 transmissões da turnê online.

O conceito poético dessas produções passa pelas ritualísticas visualidades e costumes, reverência e valorização das mulheres indígenas e a desmistificação dos povos originários enquanto indivíduos que estão à margem dos recursos tecnológicos e da geração de conhecimento. Além disso, o projeto propõe a revitalização da Rádio Educativa Cultural Fulni-ô FM, que abriga o maior acervo do “Ia-Tê”, língua original da Aldeia Fulni-ô.

Sobre a banda Cabokaji
Cabokaji não é criado, ele é poeira cósmica musical permeada por histórias que atravessam tempos e estão marcadas em nossos corpos. Ocupação PRETA, INDÍGENA, CABOCLA. Dança de batida no coro. Em 2019, Natura Musical aproxima e expande os horizontes para o nascer do primeiro álbum Cabokaji, afirmação discursiva para a ocupação e a exposição do ajuntar para exaltar as culturas de povos pindorâmicos e corpos pretos atravessados para outro lado do atlântico e que atualmente nos enriquecem com forças ancestrais de orixás, nkisis e voduns.

Cabokaji é aldeamento, resultado do “Ajuntamento” de muita energia positiva, partilhas e trocas. Em dois anos de existência, espalha o som pela valorização dos universos africanos e dos povos pindorâmicos, culturas dotadas de saberes, costumes, belezas, mistérios e musicalidade presentes nos corpos brasileiros. Além do Prêmio Natura Musical 2019, para a produção do seu primeiro disco, Cabokaji coleciona o prêmio na categoria de “Melhor Arranjo para Música com Letra”, com o single “Chegança”, no 18º Festival de Música da Educadora FM, em 2020, em que teve contribuição de Dandê Bahia e Produção da AquaHertz Beats.

Sobre Natura Musical
Natura Musical é a plataforma de cultura da marca Natura. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu cerca de R$ 174,5 milhões no patrocínio de mais de 518 projetos – entre trabalhos de grandes nomes da música brasileira, lançamento e consolidação de novos artistas e projetos de fomento à cenas e impacto social positivo. Os trabalhos artísticos renovam o repertório musical do País e são reconhecidos em listas e premiações nacionais e internacionais. Em 2020, o edital do Natura Musical selecionou 43 projetos em todo o Brasil e promoveu mais de 300 produtos e experiências musicais, entre lançamentos de álbuns, clipes, festivais digitais, oficinas e conferências. Em São Paulo, a Casa Natura Musical se tornou uma vitrine permanente da música brasileira, com uma programação contínua de lives, performances, bate-papos e conteúdos exclusivos, agora digitalmente.