Black Semba de Magary e seu grupo Cabeça de Nós Todos no Pelô

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15 de julho de 2011
por Genilson Coutinho

“O devotee (pessoa que é atraída por pessoas com deficiência) deseja suas pernas, suas costas, seus pés pequenos, suas próteses. O devotee devota”. Assim começou o espetáculo O Corpo Perturbador, no Largo Pedro Archanjo, ontem (14), no Pelourinho. O espetáculo mostrou de forma realmente perturbadora, que o desejo não está só nas pessoas com formas consideradas perfeitas, mas também nos corpos com limitações. “É a nossa forma de mostrar que nós também temos sexualidade”, disse Edu O. Junto com Meia-Lua, Edu O. se apresentou com um cenário, no mínimo, curioso com canos, cordas e redes formando uma teia que ligava os atores.

À noite, a diversidade cultural começou ao som da sanfona de Galego no Trio Os Amigos do Forró, no Largo Quincas Berro d’Água e continuou no Largo Tereza Batista com o Black Semba de Magary e seu grupo Cabeça de Nós Todos. Quando soou o primeiro acorde da sanfona, os casais já se levantaram para matar a saudade do São João enquanto Magary cantava grandes sucessos como “Joelho” e “Circulou”. O projeto Cabeça de Nós Todos partiu da vontade de fazer um trabalho mais livre e menos engessado, portanto Magary junto com Leonardo Reis, Fabinho Alcântara e Emerson Taquari chamaram mais duas “cabeças”, Saulo Fernandes e Peu Meurray, e criaram o grupo. “O grupo cria novas possibilidades musicais e o Pelourinho Cultural é o único lugar que apóia essa iniciativa”, disse Leonardo Reis. Magary completou: “O Centro Histórico é uma vitrine para a formação de plateia”, disse o artista.

Com a política de dinamização cultural dos espaços do Centro Histórico, as atrações de ontem vieram para integrar a agenda de julho do Pelourinho Cultural – programa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) e encantaram que passou pelo Pelô. Sandra Assunção disse que nunca teve a chance de ver um espetáculo como O Corpo Perturbador e pôde, além de entender melhor, conhecer outro estilo de fazer arte. Já de noite, fazendo um tour pelos largos, José Silva disse que, por ser eclético, o Pelourinho se encaixa no seu gosto musical. ”Não fico bitolado em um só ritmo, ouço e vejo de tudo”, afirmou.