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Bia Mathieu e a cena travesti dos anos 80

Genilson Coutinho,
29/06/2020 | 21h06

Se você já viu os filmes “Meu amigo Cláudia” (dir. Dácio Pinheiro, 2009), “São Paulo em Hi Fi” (dir. Lufe Steffen, 2016) e “Divinas Divas” (dir. Leandra Leal, 2016), sabe que a cena artística travesti tem história e memória. Esse universo, cujo marco remonta ao início do século XX, é o pano de fundo da dissertação de mestrado de Bia Mathieu, cujo Exame de qualificação ocorre na próxima quarta-feira.
Mas Bia não para aí, a construção dessa trans-historicização é apenas uma etapa importante de sua pesquisa que quer situar, o que a pesquisadora vem chamando de cena travesti, para além do eixo Cristo-Copan, numa alusão à memória dessas artistas que fica circunscrita aos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
Djalma Thürler, quem orienta Bia Mathieu, diz que “o propósito desse trabalho é, a partir das ideias de Walter Benjamim e Huyssen, o de pensar sobre a memória como instrumento de poder, relacionada à história das nano sociedades, das práticas estéticas da diáspora queer, aquelas que evocam essas historias menores e as tornam visíveis”.
É com base nestas conceituações que esse estudo lança seu olhar sobre a experiência de oito artistas da cena travesti soteropolitana, na intenção de desenvolver uma “política de memória” que, alinhada à luta por direitos humanos, pensa, também, em políticas culturais para a diversidade.
“Operar o conceito de memória em relação à Arte travesti na cidade de Salvador nos anos 80, é falar de uma da narrativa de sobreviventes e, se concordarmos com Mbembe, que a expressão máxima da soberania reside, em grande medida, no poder e na capacidade de ditar quem pode viver e quem deve morrer, podemos afirmar que o que deve ser lembrado ou esquecido, também, integra os mecanismos de controle de um grupo sobre o outro. É importante lembrar também que a memória é um objeto de luta pelo poder entre classes, grupos e indivíduos”, defende Bia Mathieu.
A pesquisa de Bia Mathieu, que se intitula “A emergência da memória em práticas estéticas da diáspora queer: narrativas da Arte travesti na cidade de salvador nos anos 80 e depois” é desenvolvida no Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Cultura e Sociedade (UFBA) e tem o financiamento da CAPES. A sessão de qualificação ocorrerá de forma remota e poderá ser acompanhada pelo link https://streamyard.com/9kek256uer a partir das 16:00h.
Serviço
Exame de Qualificação de Mestrado
Título: “A emergência da memória em práticas estéticas da diáspora queer: narrativas da Arte travesti na cidade de salvador nos anos 80 e depois”.
Mestranda: Bia Mathieu
Orientador: Djalma Thürler
Examinador Interno: Leandro Colling
Examinador Externo: Paulo César García
Local: https://streamyard.com/9kek256uer
Horário: 16:00h