Ativista gay tem muro pichado com frases homofóbicas no Acre

Comportamento, Social
1 de julho de 2014
por Genilson Coutinho

acre

Ao sair de casa na manhã da última quinta-feira (26) o presidente da Associação de Homossexuais do  Acre (Ahac), Germano Marino, se deparou com frases homofóbicas pichadas no muro de sua residência, localizada no bairro Defesa Civil, em Rio Branco. Dizeres como ‘Vamos matar os gays’ e ‘Deus abomina os gays’ foram escritos como uma forma de intimidação, acredita ele. O presidente da Ahac prestou queixa na delegacia da 5ª regional contra o crime de ameaça.

Germano descarta a possibilidade da pichação ter sido feita por vizinhos. Morando há 15 anos no mesmo local, ele conta que nunca se deparou com este tipo de situação. “Nunca tive problemas com os vizinhos e não tenho inimigos para fazerem isso. Estou acostumado com coisas assim, mas não comigo, não dessa forma”, garante.
Ele conta ainda que após a morte do professor e servidor público Raimundo Teodoro, de 41 anos, que também era homossexual, e que foi encontrado morto a facadas dentro do seu apartamento, na última sexta-feira (20), passou a receber ligações de duas pessoas que se identificam como sendo agentes da Segurança Pública e tentam marcar encontro com ele.
As ligações começaram, de acordo com ele, depois que amigos e familiares de Raimundo Teodoro começaram a organizar uma manifestação para cobrar resposta à morte dele.
“Pessoal estava querendo organizar uma manifestação após morte do Theo. A partir daí, pessoas me ligam dizendo que querem falar comigo sobre esse protesto, afirmando que não era bom realizar isso agora. Elas se identificam como sendo da Segurança, marcam locais e eu não vou. Porém, já fui no órgão e me confirmaram que essas pessoas não trabalham no local”, destaca.
Sendo ativista da causa gay, Germano acredita que essas intimidações estejam acontecendo justamente por ele sempre defender os direitos dos homossexuais e garante que se sente amedrontado, mas que vai continuar com seu trabalho contra a homofobia.
“Isso não vai me acovardar. Tirar-me dos trilhos. A você que fez isso aqui em casa, vou te dizer que você só fez aumentar mais ainda minha disposição de continuar sempre vigilante, denunciando, buscando justiça e direitos iguais para os homossexuais do Acre e do Brasil”, destacou em um texto publicado em sua página no Facebook.
Germano também é pai de santo e diz que conta com os vizinhos para fortalecer sua segurança e dar apoio na revitalização do muro, onde também funciona o seu ‘barracão’, locais onde realiza encontros do candomblé.
“Não vou devolver com ofensas essas provocações. Claro que agora as pessoas já sabem onde moro, é mais fácil para elas quererem me atingir ou fazer algum mal. Mas confio na solidariedade dos meus vizinhos e dos amigos diversos que, juntos, podemos aumentar essa rede de proteção solidária e vamos buscar colocar de fato esses assassinos na cadeia e lutar contra esses preconceituosos”, finaliza.
A morte do professor Raimundo Teodoro está sendo investigada pela Polícia Civil, que tem até 30 dias para finalizar o inquérito. Esta semana, o delegado responsável pelo caso, Odiom Neto disse que a investigação trabalha com a possibilidade de duas pessoas terem participado do crime.

Do G1

(Foto: Denis Henrique/G1)