Após vídeo brutal vazar, polícia identifica acusados de matar travesti em Fortaleza

Notícias
4 de março de 2017
por Genilson Coutinho

dandaracapa

Um vídeo triste e violento chegou ao nosso editor por meio de Rosana Migler, Miss Brasil Gay, que mora em Barcelona. Indignada com a barbárie de um grupo de adolescentes contra uma travesti, que é atacada com tijolos, chineladas e uma espécie de madeira.

O vídeo é da  travesti Dandara dos Santos,  que foi assassinada no dia 15 de fevereiro, no fim de linha do Jardim Jatobá, em Fortaleza, Ceará. O crime bárbaro foi feito por meio de socos, chutes, chineladas, pauladas e pedradas.

Sangrando, e bastante machucada, ela ainda é violentada verbalmente com chacota, por estar de calcinha. E ainda é possível escutar gritos incentivando a violência .

O público assiste a cena e nada faz para ajudar a vítima . O vídeo foi publicado no Facebook de Alexia Leblok, e tem sido compartilhado nas redes sociais.

Bastante abalada, Migler postou o vídeo e escreveu:

“MEU DEUS!!!!! QUE HORROR!!!!!Travesti é humilhada, espancada e levada num carrinho de mão até ser assassinada em plena luz do dia por energúmenos em #Fortaleza”

Em entrevista ao o NLUCON, o inspetor Damasceno, do 32º DP, afirmou que os seis acusados já foram identificados e que o vídeo – que correu em grupos de travestis e transexuais – ajudou na identificação.

Caso Hérika Izidoro

Poucos dias antes de Dandara ser morta, no último 12 de fevereiro, a travesti Hérika Izidoro, 24, foi espancada na avenida José Bastos, na volta de uma festa de Pré-Carnaval, e encaminhada para o Instituto Doutor José Frota (IJF), onde foi diagnosticada com traumatismo craniano. Segundo o hospital, Hérika continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No início da tarde, ao telefone com uma assistente social do IJF, o coordenador do Centro de Referência LGBT de Fortaleza, Téo Cândido, soube que Hérika havia tido melhora em seu estado de saúde e aguardava leito para ser transferida para a enfermaria. “Todo dia eu vou lá, minha mãe tá muito arrasada”, compartilhou a irmã da vítima, Patrícia Castro de Oliveira.

Téo, que está em busca de articular assistência social para a família de Hérika, disse que agressões transfóbicas ocorrem cotidianamente em Fortaleza. “Muitas vezes não denunciam por, historicamente, não serem reconhecidos como sujeitos de direitos. Nem sabem que podem reclamar. Muitas travestis não denunciam com medo de serem violentadas novamente. As delegacias não estão preparadas para receber essas denúncias”, concluiu o coordenador.

Sobre o caso de Hérika, a SSPDS se limitou a dizer que o inquérito está em andamento pelo 3º Distrito Policial. Segundo a pesquisadora Helena Vieira, que também é assessora parlamentar, o deputado estadual Renato Roseno (Psol) chegou a enviar ofício para a pasta solicitando celeridade no processo.

Não faremos a divulgação do vídeo por respeito e pela violência absurda das imagens .