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A Unidos de Jucutuquara vai dar visibilidade a população LGBTI+ no carnaval de 2019

Genilson Coutinho,
18/02/2019 | 10h02

No desfile da escola haverá uma ala destinada a pessoas trans, travestis, drag queens, transformistas, enfim a população LGBTI+. O melhor de tudo é que você não precisa gastar dinheiro com fantasia. Cata aquele vestidinho da mãe, o salto da irmã, a bolsa da prima e monta um look babado. Ou cria uma fantasia com materiais recicláveis, retalhos… Enfim use sua criatividade. A única restrição é que o look não pode ostentar marcas comerciais. Esquece aquela sua bolsinha da Louis Vuitton ou seus óculos da Prada. Pode até usar, mas tem que dar um jeito para as marcas não ficarem visíveis.

O enredo da escola vai contar a história de Arthur Bispo do Rosário (1909-1989). Classificado como louco pela psiquiatria da época, ele passou boa parte da vida internado em hospícios onde começou a desenvolver trabalhos manuais. Dentre esses trabalhos estava um manto que ele dizia que usaria quando fosse subir ao céu. Nesse manto Bispo do Rosário bordava nomes de pessoas excluídas da sociedade que também deveriam subir ao céu junto com ele. Um dos segmentos excluídos da sociedade que vai compor o desfile da agremiação é a população LGBT que vai compor a ala que fecha o desfile.

A Jucutuquara vai levar para avenida um enredo político muito importante em um momento de desmonte da Política de Saúde Mental no Brasil. A Nota Técnica Nº 11/2019 intitulada “Nova Saúde Mental” publicada pelo Ministério da Saúde representa um retrocesso às conquistas alcançadas com a Reforma Psiquiátrica. Dentre os absurdos propostos na Nota, temos a utilização de eletrochoque em pessoas com transtornos mentais, altos investimentos em internações, trazendo a preocupação de um retorno aos antigos manicômios.