50 tons de rosa

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17 de abril de 2013
por Genilson Coutinho

Bia Mathieu existe um preconceito dentro do preconeito (Foto: Patrick Silva / Labfoto)


Engana-se quem pensa um mundo gay unificado onde todos buscam a aceitação. Os hábitos distoam e isso gera o que alguns chamam de “preconceito dentro do preconceito”. As causas são as mais diversas, desde a cor da pele até a masculinidade do gay e da lésbica.

Eles não usam grifes e nem frequentam lugares caros. Para Bia Mathieu, ator transformista, glamour não tem a ver com coisas caras, mas com o comportamento. O mundo gay também é dividido por classes sociais. Integrantes das classes A e B não frequentam os mesmo lugares dos gays de classe C e por aí o mercado vai se organizando.

O BECO DOS ARTISTAS Localizado no bairro do Garcia, o Beco dos Artistas (B.A) é um point LGBTT em Salvador há mais de 40 anos, mas nem com todos esses anos de existência o local conseguiu construir uma imagem respeitada. Para Ricardo Lopes, dono do bar Melancia Blue, o B.A carrega um estigma: ao mesmo tempo em que é uma local de resistência, ainda há a lembrança da época em que havia o consumo e o tráfico de drogas, o que hoje, segundo Lopes, não ocorre mais.

Gina de Mascar, personagem tradicional do BA (Foto: Patrick Silva / Labfoto)


Se há tanta diversidade no mundo gay, o preconceito que nele é praticado segue a mesma lógica. “Existe preconceito do gay mais másculo com o gay mais efeminado com a travesti, da travesti com a performista”, fala Aldo Zeck, empresário e dono de bar no B.A. há mais de 9 anos.

Fábio Fernandes, mestrando do programa Multidisciplinar de Cultura e Sociedade, aponta que fora do holofote, nos locais de pegação, todos criam um certo nível de permissividade. “As classes talvez se misturem nos locais de pegação, porque talvez lá eu me permita sociabilizar, já que não estou sendo observado”.

O DINHEIRO ROSA Mesmo com a evidente segmentação de público, Fernandes diz que a definição das classe sociais já é uma forma de discriminar. “Essas categorias são invenções para produzir estigmas e definir quem vale mais ou menos na sociedade”, defende o pesquisador. ELe fala ainda sobre o pink money, nome dado aos empreendimentos voltados para o público gay. O “dinheiro rosa” cria uma identificação própria, ajuda os gays a se sentirem parte de uma comunidade que os valoriza, porém a criação desse mercado seleciona e exclui.

Outro problema relacionado ao pink money é a criação de um modelo de homem que seria o indivíduo abastado, forte, branco, cristão e hétero. Os gays tentam se aproximar desse modelo, sem a parte da heterossexualidade, e quem não se encaixa nesse padrão tende a sofrer por ser abjeto.
Foto: Patrick Silva
Por Alexandre Galvão e Heitor Montes
Estudantes de Comunicação Social/Jornalismo da UFBA
Ttwitter: @Alexandre__e
E-mail: alefacom@gmail.com