23ª Parada do Orgulho LGBTI Rio leva milhares de pessoas para a orla de Copacabana

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1 de outubro de 2018
por Genilson Coutinho

Bandeira colorida que representa o orgulho LGBTI é aberta durante Parada — Foto: Bruno Albernaz/G1

Milhares de pessoas foram à Praia de Copacabana participar da 23ª Parada do Orgulho LGBTI Rio. Com o tema “Vote em ideias, não em pessoas. Vote em quem tem compromisso com as causas LGBTI”, o evento foi marcado pelas falas dos participantes – artistas, autoridades e ativistas, que a todo momento entoaram o discurso em prol da igualdade destacando a importância do voto consciente e em pessoas que tenham compromisso com os direitos humanos. A frase “ele não” esteve presente durante todo a marcha, nos cartazes, nas roupas, nas falas em cima do trio e no grito do povo. O evento também foi marcado por homenagens a vereadora Marielle Franco, ao ativista João Nery e aos 40 anos do Movimento LGBT – representado pelo jornal O Lampião da Esquina.

“Para nós, hoje é mais um dia de luta, é mais um dia que estamos aqui para dizer que nós, população LGBTI, existimos e resistimos. Vamos fazer uma grande homenagem àquela que semeou muitas sementes, Marielle Franco presente!”, disse a vice-presidente do Grupo Arco-Íris, Marcelle Esteves.

A Parada aconteceu uma semana antes das eleições. Em 2018, o número de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que se candidataram a uma vaga nos poderes executivo e legislativo aumentou 386,4% se comparado às últimas eleições. Em 2017, apenas 37 pessoas se declaravam abertamente LGBT, contra 180 deste ano, de acordo com a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).

Num país como o Brasil, que é o que mais mata pessoas LGBTI no mundo, a necessidade de representatividade na política é urgente. “Nossos direitos, nossa cidadania e principalmente nossas vidas dependem das escolhas que faremos nas urnas”, afirma Almir França, presidente do Grupo Arco-Íris.

Essa é uma reflexão que os organizadores trouxeram para a avenida: em tempos de fundamentalismo religioso, obscurantismo, de não aceitação de diversidade sexual e de gênero, de comportamentos retrógrados, milhares de pessoas estarão em Copacabana levantando a bandeira da diversidade LGBTI e da luta contra quem rejeita os seres humanos apenas por eles fugirem dos estereótipos impostos pela sociedade. “É um momento muito emocionante para todos nós. A Parada é um movimento importante para dizer que somos milhões e estamos em todas as partes. Nós não voltaremos mais para os armários. O Brasil assassina uma pessoa LGBTI a cada 20 horas, 60% já sofreu algum tipo de agressão física simplesmente pela sua orientação sexual. Por isso é importante dizer, que a parada é um lugar sim, para marcar nossa resistência”, ressalta Claudio Nascimento, coordenador executivo do Grupo Arco-Íris.

Mais uma vez, artistas abriram mão do cachê em prol da causa

Entre os artistas que participaram da Parada estão: Luisa Sonza, Lexa, Lorena Simpson, MC Pocahontas, Funtastic, Gabily, Clau, Ananda, Donas, Lary, MC Nem, As Baphônicas e Armário de Saia.

A divina diva Jane Di Castro preparou uma apresentação especial para este ano. Além de cantar o hino nacional, como faz há mais de 10 anos, Jane fez um show inédito com músicas de Cazuza e Rolling Stones.

Ações de prevenção e saúde

O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT distribuiu 200 mil preservativos femininos e masculinos, gel lubrificante e folhetos informativos sobre prevenção. As ações foram uma parceria com o Departamento Nacional de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz, Coordenadoria Geral de Atenção Primária da Área Programática – CAP 2.1 da Secretaria Municipal de Saúde e a Gerência DST / Aids, Sangue e Hemoderivados da Secretaria Estadual de Saúde.

Moda e sustentabilidade unidas a favor da diversidade

Com o objetivo de potencializar a criatividade e empoderar a população trans e de travestis, contribuindo para o acesso dessas pessoas ao mercado de trabalho, a Escola de Divines, um curso de formação em moda voltado para pessoas travestis e transexuais teve um stand na Parada recebendo novos alunos. A proposta é promover cidadania, geração de renda e educação ambiental por meio da linguagem de reutilização de resíduos para a fabricação de peças e acessórios que serão vendidos.

O estilista Almir França fez um editorial de moda com materiais reutilizáveis durante o evento. Mulheres transexuais e homens trans vestiram modelos confeccionados por Isabela Capeto, Beto Neves, Bruna Bee, Marcelo Olinto, Denis Linhares e Samuel Abrantes e outros. Os modelos serão leiloados e o valor arrecadado será destinado ao Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, Casa Nem e Casarão.

Repercussão na internet

A Parada teve um alcance potencial de mais seis milhões de pessoas. Durante o evento, a hashtag #EleNão foi a mais usada pelos internautas.

A Parada LGBTI Rio

A Parada do Orgulho LGBT Rio é organizada há 23 anos pela ONG Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT e leva para as ruas pessoas que lutam por direitos iguais, que combatem a intolerância, o preconceito e o ódio, dando voz àqueles que por tantos anos viveram à margem da sociedade, mostrando que o mundo está avançando para um lugar que respeita a diversidade e que todos têm o direito de amar quem quiserem. Ela é considerada o terceiro maior evento da cidade e leva centenas de milhares de pessoas para a mais famosa praia do mundo. A Parada é sinônimo de vanguarda. Foi a primeira do Brasil e desde então cumpre papel importante na luta pela igualdade de direitos para a população LGBTI no país.