16ª Parada do Orgulho LGBT da Bahia lança campanha em nome da paz

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18 de agosto de 2017
por Genilson Coutinho

AFD DM9 BANDEIRA LGBT A1 FINAL (1)

Essa nossa bandeira do arco-íris já tem 39 anos e já foi usada em muitas batalhas contra o preconceito, homofobia, LGBTIfobia, mas sempre por direitos iguais. Mas esse ano ela vai ficar maior, não só no tamanho, mas também na causa. Pela primeira vez a nossa bandeira vai ganhar mais uma cor. O branco, branco da paz. Vamos costurar uma faixa branca na nossa bandeira! Chega de violência contra quem é diferente, contra as orientações sexuais não hegemônicas.

A comunidade LGBTI da Bahia pede paz! Este é o tema da 16ª Parada do Orgulho LGBT da Bahia, que acontece em Salvador no dia 10 de setembro próximo. O tema escolhido levou em consideração os dados estatísticos do próprio Grupo Gay da Bahia (GGB) que alerta que as expressões da LGBTIfobia no Brasil têm alcançado índices alarmantes que maculam nosso país no cenário internacional. Em 2014 um total de 326 foram barbaramente assassinados no Brasil   e em 2015 o Grupo contabilizou por meio do site  um total de 318 crimes onde a orientação sexual da vítima foi principal elemento motivador da causa morte. Em 2016 o mesmo estudo anual constatou 343 crimes em todo o Brasil.  Até meados de agosto desse ano já foram contabilizados 249 crimes em todo o Brasil, sendo um gráfico crescente que não baixa.

Essas estatísticas de ódio revelam a ponta de iceberg de sangue e que a cada 25horas um LGBTI é morto no Brasil. Tal genocídio exige uma tomada de decisão por parte das pessoas LGBTI na resposta ao impacto dessa violência entre nós. Isso sugere a importância da criação de redes internas de proteção de cada um de nós, especialmente porque essa proteção se relaciona com a necessidade da organização de todos atuando na denúncia dessas expressões homofóbicas e não permitindo que outro seja oprimido por sua orientação sexual. A LGBTIfobia empurra os LGBTI para um submundo de clandestinidade  e vivências de uma sexualidade exposta as vulnerabilidades sociais e de gênero. Os crimes ocorrem amparados na cultura que considera LGBTI como indivíduos de segunda categoria, o que sustenta a impunidade.

Entretanto, o Delegado de Polícia, o Defensor Público, o Promotor e o Juiz devem compreender que os crimes praticados contra LGBTI são crimes de ódio motivados pela LGBTfobia e que necessitam de celeridade na aplicação da pena, pois tal indiferença e morosidade isso gera um grande estresse na sociedade e na própria comunidade que vive a sensação de insegurança e impunidade.

De acordo com o advogado Dimitri Sales é preciso que os órgãos públicos reconheçam que existe uma desigualdade com base no gênero e encontre meios de mitigar a ação dessa LGBTIfobia institucional, que não garante a segurança pública dessa população.  “Ao reconhecer diferenças a partir do critério sexualidade numa sociedade homofóbica, reconhece-se que as condições sexuais de cada pessoa são fatores agravantes da vulnerabilidade social”. O advogado acredita que o caminho para a equalização dos direitos é tornar a homofobia crime.  “Um dos mecanismos que permite a plena realização da cidadania de pessoas LGBT é o enfrentamento aos crimes de ódio, possível por meio da criminalização da homofobia. Criminalizar a homofobia contribuiu para a cultura da paz entre nós” conclui o ativista do Direito.

A campanha “A comunidade pede paz” foi uma criação da agência DM9 para o Grupo Gay da Bahia, teve como inspiração os índices de crimes contra LGBT que a cada 25h um LGBTI é morto no Brasil. “A comunidade pede paz, requer  especialmente aos órgãos públicos, às autoridades e os homens e mulheres de bem, um olhar carinhoso e solidário para essa população” diz Marcelo Cerqueira, presidente do GGB, indicando ainda que só a partir da criminalização da LGBTfobia, os crimes irão sem dúvida diminuir.  A campanha consta de cartaz, folder, peças para as mídias sociais e vídeo clip.

A 16ª Parada acontece no dia 10 de setembro, domingo,  a partir das 11h00 no centro de Salvador. Além do desfile de trios consta um palco funcionando das 11h30 até ás 21h30 com o revezamento de artistas e bandas musicais. Já o desfile de trios elétricos tem início ás 15h30 e segue até ás 20h30 após percorrer o circuito do carnaval, terminando no Largo dos Aflitos. A 16ª Celebração do Orgulho LGBT da Bahia é uma realização dos Grupos Quimbanda Dudu e Grupo Gay da Bahia.