“A Paixão de Cristo” na Concha Acústica

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8 de abril de 2011
por Genilson Coutinho

A capital baiana será palco para a encenação do espetáculo “A Paixão de Cristo”, durante a Semana Santa, de 22 a 25 de abril, às 18h30. A mega produção, patrocinada pelo Projeto Vivo EnCena, escolheu a Concha Acústica do Teatro Castro Alves para apresentar a empreitada cênica que narra a história de Cristo ao público de Salvador. Com um coro de 300 vozes e 50 atores baianos em atuação, o elenco estelar tem nomes como Jackson Costa (Cristo), Regina Dourado (Maria), Andrea Elia (Maria Madalena), Marcelo Prado, Luiz Pepeu, Urias Lima e Carlos Betão. Os ingressos podem ser trocados gratuitamente por 1kg de feijão ou arroz na bilheteria do TCA.Os alimentos serão doados ao programa Fome Zero.

Dirigido por Paulo Dourado, o espetáculo segue uma linha tradicional, baseado em interpretações literais dos evangelhos e pontuado por falas da Língua Portuguesa arcaica. “Não fizemos nada pós moderno. O que queremos é mostrar a celebração da histórica Paixão de Cristo, a mais permanente e profunda entre todas as tradições culturais do mundo ocidental”, afirma Dourado. Apesar disso, a produção contempla elementos contemporâneos e efeitos especiais. “No momento da ascensão de Cristo, por exemplo, o mártir irá literalmente voar”, explica Antrifo Sanches, coordenador de produção. Para causar tais efeitos, foi convocada a Intrépida Trupe, companhia carioca especializada na linguagem cênica inspirada na magia circense e nos seus desdobramentos.

A música que marca o ritmo da peça é uma grande compilação do cancioneiro popular de domínio público e do regimento clássico instrumental. Some-se a isso o coro composto pelo maestro Dilton César, responsável pelos corais do Mosteiro de São Bento, da Petrobras e da Cofip, entre outros. Selecionando componentes de vários desses corais, ele conseguiu dar vida e potência a 300 vozes em uníssono.

Calendário anual na Concha

Durante os quatro dias de espetáculo são esperadas 20 mil pessoas. Por isso a escolha da Concha Acústica, que depois de muitos anos volta a receber uma apresentação teatral. “Fazer teatro na Concha é um grande desafio, pois é preciso ter o controle de uma grande platéia”, afirma Sanches. Em função do seu duplo fundamento – religioso e artístico – a realização do espetáculo popular da Paixão de Cristo se reveste de características que abarcam a diversidade das classes sociais do estado e alcançam todo o conjunto da sociedade contemporânea.

A idéia de Paulo Dourado é fazer com que o espetáculo se torne um evento fixo no calendário cultural anual de Salvador. Por isso, a realização d´A Paixão de Cristo, ano após ano, pretende reafirmar a importância formadora e educativa da mensagem do Cristo com vistas ao humanismo, paz, tolerância e sabedoria. Ambicioso, o projeto transcende o plano artístico-religioso e preenche um vazio cultural que gera repercussão nos planos turístico e econômico. “Sempre faltou um espetáculo grandioso e aberto ao público sobre o tema na Bahia, que é depositária de um acervo de arte sacra de proporções mundiais”, lembra Dourado. Com isso, pretende-se contribuir para visita do público aos grandes acervos sacros presentes em Salvador e no Recôncavo Baiano.

Ao longo das últimas décadas ressurgiram espetáculos contemporâneos sobre a Paixão de Cristo, produzidos com recursos tecnológicos de ponta e elenco de excelência artística, voltados para a atualização e ressignificação desse grande marco de unificação dos povos. A Paixão de Cristo de Paulo Dourado, além de estimular o mercado cultural do estado, não tem missão diferente desta: pensar o verdadeiro sentido da Páscoa.

Crédito das fotos: Yolanda Nogueira

Ficha Técnica

Direção – Paulo Dourado

Dramaturgia – João Sanches

Produção – Sole Produções

Coordenação de Produção – Antrifo Sanches

Figurino – Miguel Carvalho

Cenografia – Zuarte Júnior e Fritz Guttman

Maestro – Dilton César

Efeitos Especiais – Intrépida Trupe